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NOTA OFICIAL COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA: AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03

Rio de Janeiro, 05 de setembro de 2026 PABLO ROGERS DIAS FERREIRA BRANDÃO Coletivo Transparência Mangueira 21 99920-2246 | pablobrandaorj@gmail.com   AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03 I. "NÃO FOMOS PREVIAMENTE INFORMADOS" — ATÉ O PRINT DESMENTIR   A   Nota Oficial, apresentada como posição institucional da Presidência, afirma que a escola tomou conhecimento da retirada "por meio das redes sociais" e lamenta a condução do fato "SEM QUE FOSSE PREVIAMENTE INFORMADA".   O print de WhatsApp — divulgado pela própria presidenta, com a triunfante legenda "SEGUE PRINT!" — comprova o recebimento, às 11h12 do dia 12 de agosto de 2026, de comunicação formal e protocolar, endereçada nominalmente a ela ("Prezada Presidente Guanayra / Por meio desta, comunicamos formalmente..."), assinada pela "Parceria Samba nº 03 – Carnaval 2027". A comunicaçã...

NOTA OFICIAL COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA: AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03



Rio de Janeiro, 05 de setembro de 2026

PABLO ROGERS DIAS FERREIRA BRANDÃO

Coletivo Transparência Mangueira

21 99920-2246 | pablobrandaorj@gmail.com

 

AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03

I. "NÃO FOMOS PREVIAMENTE INFORMADOS" — ATÉ O PRINT DESMENTIR

 

A

 Nota Oficial, apresentada como posição institucional da Presidência, afirma que a escola tomou conhecimento da retirada "por meio das redes sociais" e lamenta a condução do fato "SEM QUE FOSSE PREVIAMENTE INFORMADA".

 

O print de WhatsApp — divulgado pela própria presidenta, com a triunfante legenda "SEGUE PRINT!" — comprova o recebimento, às 11h12 do dia 12 de agosto de 2026, de comunicação formal e protocolar, endereçada nominalmente a ela ("Prezada Presidente Guanayra / Por meio desta, comunicamos formalmente..."), assinada pela "Parceria Samba nº 03 – Carnaval 2027". A comunicação prévia, portanto, existiu, foi escrita, foi formal e chegou ao destino antes da divulgação pública.

A NOTA OFICIAL não a menciona, não a nega e não a qualifica: simplesmente a suprime. E eis a fina ironia do episódio: quem revelou a existência da prova foi a própria autora da versão que ela desmente. A acusação não precisou produzir evidência alguma — a defesa a publicou por conta própria.

II. A DEFESA QUE CONFIRMA A ACUSAÇÃO

 

A

 postagem de Guanayra Firmino dos Santos abre com "NÃO É MENTIRA @xandedepilares!" e se propõe a desmentir GILSON BERNINI. No corpo do texto, contudo, a presidenta confirma, um a um, os elementos centrais da versão do compositor:

1.       Confirma que a mensagem chegou às 11h12 ("me enviou uma mensagem as 11:12") e que respondeu às 14h05 ("Vi a msg as 14:05, quando respondi");

2.      Confirma que a resposta se dirigiu a Beto Savanna.

 

Exatamente os dois pontos que Bernini invocara e que aparecem circulados no print. Portanto, Gilson Bernini, compositor seis vezes campeão na Mangueira, falou a verdade.

A peça publicada para desmentir Bernini valida, com precisão de minutos, a cronologia do desmentido. O que Guanayra contesta, ao final, já não é mais o fato da comunicação, mas o momento da própria leitura — deslocando o critério do plano objetivo (quando a escola foi comunicada) para o plano subjetivo (quando a presidenta se dignou a abrir o aplicativo). A Nota Oficial, porém, não afirmara "A PRESIDENTA NÃO LEU A TEMPO"; afirmara que a escola não foi informada. São proposições distintas — e apenas a segunda foi desmentida. Por ela mesma.


III. A INCOERÊNCIA INTERNA DA PRÓPRIA POSTAGEM

 

N

o mesmo texto, a presidenta escreve que:

  "NÃO TEM MENTIRA NENHUMA DA PARTE DA MANGUEIRA, A ESCOLA NÃO FOI MESMO AVISADA ANTES DE POSTAREM".

 GUANAYRA, FALTA COM A VERDADE: o próprio print que a presidenta produziu e divulgou confirma — confirma! — que ela foi comunicada. Ela, dizer o contrário é um absurdo e é mentira.

Guanayra Firmino dos Santos, depois de haver reconhecido, linhas acima, que o aviso chegou às 11h12, contradiz a si mesma: as duas afirmações não coexistem, salvo se a publicação da parceria tivesse precedido as 11h12 — hipótese que Guanayra Firmino em nenhum momento sustenta. Toda a sua argumentação repousa sobre o "não vi logo", o que pressupõe, logicamente, que o envio veio primeiro. A frase "me mandaram uma msg e mesmo sem saber se foi lida ou não, divulgaram" opera a mesma inversão: converte a diligência da parceria (comunicar formalmente antes de divulgar) em falta, e a desatenção da destinatária em virtude.

Em qualquer regime de comunicação institucional — inclusive naquele que a própria nota invoca —, a notificação se aperfeiçoa com a entrega, não com a leitura. O que falta, ali, não é mensagem: é institucionalidade.

IV. O "CANAL DIRETO DE DIÁLOGO" QUE A PRÓPRIA PRESIDENTA DESCONHECE


A

 Nota Oficial da Mangueira assegura que a escola:

 

 mantém um canal direto de diálogo com todas as parcerias e seus compositores, criado justamente para garantir comunicação, transparência e alinhamento durante todas as etapas do concurso”.

Atentem-se: não somos nós, do Coletivo Transparência Mangueira, que o dizemos — quem o diz é a nota oficial da agremiação, diga-se, apócrifa, pois Guanayra Firmino dos Santos não a assina.

A postagem de Guanayra, entretanto, descreve Beto Savanna — compositor de parceria classificada, cria da comunidade — como "pessoa que nem tenho o contato salvo, e nem numa hora dei meu número", e acrescenta que "whatsapp e-mail não é lugar de se fazer esse comunicado". Ué?

Se o WhatsApp da presidenta não é canal, se o e-mail não é canal e se ela sequer mantém os contatos dos compositores em disputa, qual é, afinal, o tal canal direto que a nota proclama?

A versão de Bernini oferece a resposta que a nota evita: o grupo oficial do concurso, no qual o diretor de Carnaval, Dudu Botelho, teria sido comunicado antes da divulgação pública — canal que a Nota Oficial não menciona e que a postagem de Guanayra Firmino dos Santos não desmente.

E aqui se revela um deslizamento decisivo: a nota fala em nome da escola, pessoa jurídica que compreende a Direção de Carnaval; a defesa de Guanayra responde apenas pela sua caixa de entrada pessoal ("Informaram a quem?"). Se o diretor de Carnaval foi informado no grupo oficial, a escola foi informada — ainda que a presidenta não houvesse lido a sua mensagem.

GUARDEM ESSA FRASE: "A ESCOLA FOI INFORMADA — AINDA QUE A PRESIDENTA NÃO HOUVESSE LIDO A SUA MENSAGEM".

 V. A GUARDIÃ DA ÉTICA QUE ESCREVE "VOCÊS SÓ TINHAM ISSO A OFERECER"

A

 NOTA OFICIAL invoca "os princípios éticos das comunicações institucionais" para censurar a forma adotada pelos compositores. No mesmo dia 12, entre 14h05 e 14h06, a presidenta respondia pelo WhatsApp — precisamente o canal que declarara inadequado — nos seguintes termos:

 

1.       "Lamentável a atitude de vocês, pois ninguém os obrigou a botar samba";


2.      "Respeito? Onde você vê respeito nessa atitude covarde de vocês? Que expõe a escola e a mim?";

 

3.      "Mas é assim mesmo, cada um dá o que tem e vocês só tinham isso a oferecer".

E a quem se dirigem tais gentilezas presidenciais?

Dirigem-se a uma parceria que incluía Gilson Bernini — seis vezes vencedor das disputas internas da escola (2000, 2001, 2003, 2004, 2006 e 2009) e duas vezes Estandarte de Ouro de Melhor Samba-Enredo — e cuja obra era a mais ouvida do concurso.

Dirigem-se a uma compositora, cantora, musa da Mangueira e madrinha do Programa Social da escola, Karinah. Toda a colaboração e contribuição de Karinah é pouco? O quanto essa mulher, com tão pouco tempo de casa, já fez pela Mangueira — e ser desdenhada a esse nível, pela presidenta? Que lastimável, para a história da Estação Primeira de Mangueira.

Dirigem-se a um cantor, cavaquinista, compositor de samba-enredo e dirigente do carnaval brasileiro, formado em Medicina, vencedor de disputas de samba-enredo na Mangueira por duas vezes, em 1993 e 2009. Na Unidos do Viradouro, escola coirmã, é autor de oito sambas-enredo por lá e chegou a ocupar a presidência nos momentos mais difíceis da agremiação. E a presidenta da Mangueira afirma que é "só isso" que ele tem a oferecer?

Dirigem-se ao cantor e compositor vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode em 2024, com o aclamado disco "Xande Canta Caetano". Xande de Pilares é ainda autor de diversos sambas-enredo no Acadêmicos do Salgueiro, escola afilhada da Estação Primeira de Mangueira, e um dos maiores nomes do samba e da música brasileira na atualidade. E a presidenta da Mangueira afirma que é "só isso" que ele tem a oferecer?

Dirigem-se, enfim, a Beto Savanna — que mora em frente à casa da irmã da presidenta. "Cria da comunidade": não era ela quem fazia a gestão dos crias? Beto Savanna mora, aliás, em frente à sede da empresa que forneceu 25 violões, ao custo de R$ 165 mil, à Estação Primeira de Mangueira. Ele é um dos poucos compositores do Bairro de Mangueira que depositaram alguma credibilidade neste concurso. A confiança de um compositor da comunidade não é mais do que suficiente?

Poupe-nos, Guanayra Firmino dos Santos, dessa ética de ocasião: o contraste entre a solenidade do registro público e a ofensa do registro privado esvazia por completo a autoridade moral da cobrança. E o agravante é de forma: quem exigia ética nas comunicações expôs, por iniciativa própria, conversa privada com terceiros nas redes sociais.

 

VI. O REPÚDIO A UMA ACUSAÇÃO QUE NINGUÉM FEZ

A

 NOTA OFICIAL "repudia qualquer tentativa de atribuir à agremiação a responsabilidade do fato ocorrido".

 

 

O comunicado da parceria, porém, não contém acusação alguma: agradece nominalmente à Presidência e à Direção de Carnaval, exalta a comunidade e silencia sobre os motivos precisamente "por respeito à escola".

Repudiar imputação inexistente é a figura clássica da defesa antecipada — excusatio non petita, accusatio manifesta: quem se desculpa sem ser acusado, acusa-se a si mesmo. A nota não responde ao que a parceria disse, mas ao que a Presidência temia que o público concluísse.

E a mensagem privada "Que expõe a escola e a mim?" confirma que, desde a primeira hora, a leitura presidencial do episódio foi a do dano à própria imagem — personalização que a redação institucional da nota procura dissimular sob o manto da primeira pessoa jurídica.

VII. A "TRANSPARÊNCIA" PROCLAMADA VERSUS A ADVERTÊNCIA IGNORADA

 

A

 nota atribui ao suposto canal direto a finalidade de garantir "TRANSPARÊNCIA E ALINHAMENTO DURANTE TODAS AS ETAPAS DO CONCURSO".

Ocorre que, em 26 de maio de 2026 — três meses antes da crise —, o COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA entregou às quatro caixas institucionais da escola, com cópia à imprensa especializada, proposta formal de edital para o certame, contemplando exatamente os pontos cuja ausência a crise de agosto expôs:

1.      Regras prévias;

2.     Impedimentos;

3.     Forma de comunicação;

4.    Recursos e impugnações.

 

A correspondência, expedida às 12h40, com rastreamento eletrônico de leitura, jamais foi respondida. Um concurso sem edital não possui forma prescrita nem para a inscrição nem para a desistência — de modo que o argumento de Guanayra Firmino dos Santos, de que "a parceria procurou a escola pessoalmente pra se inscrever" (e deveria, por simetria, retirar-se pessoalmente), invoca uma formalidade que a própria gestão se recusou a instituir quando formalmente instada a fazê-lo. Cobra-se dos compositores o rito que se negou à escola.

A crise de 12 de agosto não foi imprevisível: foi prevista, por escrito, protocolada — e arquivada sem resposta.

Saudações Mangueirenses,

 

 

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PABLO ROGERS DIAS FERREIRA BRANDÃO

Coletivo Transparência Mangueira


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