SOBRE O COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA
A fiscalização dos recursos destinados à Mangueira possui duas dimensões complementares. A primeira é interna, ligada às obrigações estatutárias, à administração do patrimônio e à prestação de contas aos órgãos da agremiação. A segunda é externa, decorrente das exigências específicas de cada instrumento de financiamento, especialmente quando a escola ou entidades parceiras executam recursos públicos ou projetos culturais incentivados. O Coletivo Transparência Mangueira acompanha essas duas dimensões sem confundi-las: uma aprovação interna não substitui a prestação de contas exigida pelo financiador, assim como a existência de fiscalização estatal não dispensa os órgãos estatutários de exercer suas atribuições. O que o Coletivo Transparência Mangueira almeja é que recursos recebidos em nome da cultura e da comunidade sejam administrados com planejamento, documentação, responsabilidade e resultados demonstráveis.
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| O COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA |
As eleições internas integram essa preocupação. O Estatuto disciplina a composição da Comissão Eleitoral, a convocação das eleições, o registro de chapas, a relação dos associados aptos a votar e as garantias de sigilo do voto, entre outros procedimentos. O CTM defende a observância dessas regras e apresenta, como propostas de aperfeiçoamento estatutário, maior independência dos órgãos fiscalizadores, ampliação da representatividade e democratização do ingresso no quadro social. Tais propostas não devem ser confundidas com regras já aprovadas: qualquer alteração exige o procedimento e a deliberação competentes. O compromisso permanente do Coletivo é com processos associativos claros, documentados e conduzidos segundo o Estatuto, independentemente de quem ocupe ou pretenda ocupar cargos na escola.
A independência do Coletivo Transparência Mangueira significa, ainda, que sua atuação não deve depender da vinculação dos participantes à situação ou à oposição interna. Seu informativo institucional esclarece que o CTM não se constitui, como chapa eleitoral e se propõe a acolher pessoas com diferentes relações e opiniões sobre a administração da Mangueira. A defesa de regras transparentes não pertence exclusivamente a um grupo. O direito de pedir documentos, examinar contas e cobrar o funcionamento dos órgãos estatutários não deve variar conforme a afinidade pessoal com os dirigentes. A fiscalização responsável protege a instituição justamente porque não confunde a Mangueira com qualquer mandato ou administração passageira.
A defesa da memória e do patrimônio cultural ocupa posição igualmente importante. O Estatuto prevê, entre as finalidades da Mangueira, a preservação de coleções e bens de valor histórico e cultural, a realização de pesquisas e atividades educativas e a valorização da memória do samba, do Carnaval, do povo preto e das comunidades. O CTM procura fazer com que esses compromissos apareçam tanto nos projetos anunciados quanto nos acervos efetivamente preservados, nas histórias registradas e no acesso oferecido ao público. Preservar a Mangueira significa cuidar dos documentos, fotografias, gravações, troféus, espaços e testemunhos de seus componentes, com especial atenção às pessoas cujas trajetórias nem sempre receberam reconhecimento nos registros oficiais. A memória da escola não deve depender apenas da lembrança individual nem se perder a cada mudança de gestão.
A Mangueira que o Coletivo Transparência Mangueira almeja é uma escola forte artisticamente, responsável administrativamente e aberta à participação de sua comunidade. Uma instituição capaz de realizar grandes Carnavais sem descuidar de sua vida associativa; de captar recursos sem perder de vista suas finalidades; de preservar seus baluartes e sua memória enquanto forma novas gerações; de valorizar seus artistas, trabalhadores e componentes; e de fazer funcionar, com independência e responsabilidade, os órgãos previstos em seu Estatuto. Uma escola em que divergências possam ser debatidas sem que perguntas legítimas sejam tratadas como ofensa, e em que documentos, critérios e decisões fundamentadas tenham mais peso do que relações pessoais.
O objetivo final do CTM não é substituir uma concentração de poder por outra, mas contribuir para que a Mangueira disponha de mecanismos permanentes de transparência, fiscalização, integridade e participação, capazes de permanecer em funcionamento para além de qualquer gestão. O respeito ao Estatuto Social constitui o ponto de partida desse compromisso; a formação cidadã, a fiscalização documental, a proteção da memória e o fortalecimento dos órgãos associativos são caminhos para concretizá-lo. A Estação Primeira pertence à sua própria história e à coletividade que a mantém viva. Cuidar dessa herança exige afeto, trabalho, responsabilidade e disposição para prestar contas.
Mangueira é Nação. Transparência é obrigação.

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