NOTA OFICIAL DO COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA SOBRE A DESISTÊNCIA DA PARCERIA 03 DO CONCURSO DE SAMBA-ENREDO DA MANGUEIRA PARA O CARNAVAL 2027
QUANDO O SAMBA DESISTE:
A DESISTÊNCIA DA PARCERIA DE XANDE PILARES, GILSON BERNINI E KARINAH NA
MANGUEIRA
__________________
Mangueira,
Rio de Janeiro,
12
de agosto de 2026.
O COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA vem a público manifestar-se sobre a retirada da parceria integrada por Xande de Pilares, Karinah, Gilson Bernini, Gustavo Clarão, Beto Savanna e Felipe Mussili da disputa de samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval de 2027. Trata-se da obra inscrita sob o número 03, primeira a subir ao palco do Palácio do Samba na noite de 1º de agosto, classificada nas duas eliminatórias realizadas e apontada por parte da imprensa especializada como favorita ao título. Uma parceria não abandona uma disputa em que vinha vencendo por desinteresse artístico. Abandona quando conclui que a competição não oferece as garantias mínimas que justificariam permanecer nela.
Este Coletivo advertiu, por escrito e com antecedência, que este momento chegaria. Em correspondência formal datada de 26 de maio de 2026, dirigida ao presidente do Conselho Deliberativo e Fiscal, o senhor João Carlos, com cópia ao Vice-Presidente Moacyr Barreto da Silva Junior e à Secretaria do Conselho Deliberativo e Fiscal da Estação Primeira de Mangueira, apresentamos proposta detalhada de elaboração de edital público para o concurso de samba-enredo, requerendo regras escritas, critérios objetivos de julgamento, comissão julgadora independente, hipóteses expressas de impedimento, procedimento de recurso e afastamento da presidente Guanayra Firmino dos Santos de qualquer ato de condução do certame.
Integrantes da parceria 03 - Concurso Samba-Enredo Mangueira 2027
Naquele
documento, alertamos textualmente para o risco de que a participação de
profissionais juridicamente vinculados à direção da agremiação gerasse
"dúvidas objetivas sobre conflito de interesses" e viesse a
"descredibilizar todo o processo, além de desmotivar a participação de
outros compositores". Nenhum edital foi publicado. Nenhuma das
recomendações foi acolhida. O que se previu, ocorreu.
I. O QUADRO NUMÉRICO: O PIOR ANO DA SÉRIE HISTÓRICA
A disputa de 2027 recebeu dez obras concorrentes, reunindo cinquenta e cinco compositores. A série histórica organizada pelo Coletivo Transparência Mangueira, que compreende onze disputas realizadas entre 2016 e 2027, excluído o Carnaval de 2021 em razão da pandemia de covid-19, foram contabilizadas 271 obras concorrentes e 1.223 participações de compositores, com média geral de 24,6 sambas e 111,2 registros por disputa. Os números de 2027 são, portanto, os menores de toda a série, tanto em obras quanto em participantes. O segundo pior resultado é o de 2025, com onze sambas admitidos e sessenta e uma participações — igualmente sob a gestão atual.
A comparação por períodos é ainda mais eloquente. Entre 2016 e 2022, foram realizadas seis disputas que reuniram 174 sambas-enredo, média de 29 obras por ano. Nos últimos três anos, somados 2025, 2026 e 2027, foram 43 sambas apenas, média de 14,3 por ano — menos da metade. Sequer em 2009, após a grave crise institucional que marcou a história da agremiação, a Mangueira registrou contingente tão reduzido de parcerias.
Estes números não são oscilação estatística. São a medida objetiva da confiança que a comunidade compositora deposita no processo. E, agora, a essa contração soma-se a evasão de uma das parcerias mais fortes da disputa em andamento.
II. O NÚCLEO DO PROBLEMA: A APARÊNCIA DE IMPARCIALIDADE ESTÁ
COMPROMETIDA
O
COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA registra, com base em documentação
pública e verificável, um conjunto de fatos que, considerados em conjunto,
tornam insustentável a alegação de que o concurso de samba-enredo de 2027
transcorre em condições de isonomia.
Consta da disputa de 2027, integrando a parceria encabeçada por Lequinho, ao lado de Júnior Fionda, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim, o compositor identificado nas fichas oficiais como Gabriel Machado. Trata-se de GABRIEL DE ALENCAR MACHADO, advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado do Rio de Janeiro, sob o número 159.422 desde 2008, integrante, desde janeiro de 2013, do escritório NELIO MACHADO ADVOGADOS, conforme informação constante do próprio sítio eletrônico da banca.
O mesmo escritório NELIO MACHADO ADVOGADOS figura, conforme já denunciamos em maio, entre as duas bancas contratadas pela atual gestão da Estação Primeira de Mangueira, ao lado de BERMUDES ADVOGADOS, para exercer, na prática, as atribuições que o Estatuto reserva ao Departamento Jurídico da agremiação. A Mangueira, portanto, remunera o escritório do compositor que disputa o seu samba-enredo. A circularidade é documental e dispensa interpretação.
Há mais. Gabriel de Alencar Machado atuou como advogado de defesa de DIEGO FIRMINO SANTIAGO SALES, filho da presidente Guanayra Firmino dos Santos e então diretor de Barracão da agremiação, preso em flagrante na madrugada de 31 de agosto de 2024, na Avenida Leopoldo Bulhões, nas imediações da estação de trem de Manguinhos, sob a tipificação de homicídio culposo, após atropelar e matar um homem em situação de rua. Segundo a Polícia Militar, o veículo transportava seis pessoas e o condutor tentou deixar o local, sendo interceptado por equipes da Unidade de Polícia Pacificadora de Manguinhos a cerca de um quilômetro do ponto do atropelamento. Diego Firmino foi liberado em audiência de custódia, com apreensão da Carteira Nacional de Habilitação, proibição de dirigir, comparecimento mensal em juízo pelo prazo de dois anos e vedação de mudança de comarca. Foi Gabriel Machado quem sustentou publicamente, em nome da defesa, a tese de ausência de embriaguez e de omissão de socorro.
Registre-se,
ainda, que o mesmo profissional integrou as parcerias vencedoras dos concursos
de samba-enredo da Mangueira em 2018, 2023, 2024 e 2025 — três vitórias
consecutivas dentro do período da atual administração. E que, na disputa em
curso, sua parceria foi classificada em todas as etapas realizadas.
III. O QUE ESTE COLETIVO AFIRMA E O QUE NÃO AFIRMA
É
necessário precisão, e a precisão é também uma forma de respeito.
Este Coletivo não afirma que Gabriel de Alencar Machado tenha praticado qualquer ilícito. Não afirma que suas obras careçam de mérito artístico. Não afirma que os resultados anteriores tenham sido fraudados. Advogar é atividade constitucionalmente protegida, e a defesa técnica de qualquer acusado, em qualquer circunstância, é direito inafastável e pilar do Estado Democrático de Direito. O exercício da advocacia não desqualifica ninguém como compositor.
O que o Coletivo Transparência Mangueira afirma é outra coisa, e é grave: a aparência de imparcialidade do certame está objetivamente comprometida. Em qualquer processo seletivo minimamente sério, público ou privado, o impedimento não depende da demonstração de má-fé. Depende apenas da existência de vínculo capaz de gerar dúvida razoável no espírito dos demais concorrentes. E aqui a dúvida não é razoável: é inevitável. Um compositor que é, ao mesmo tempo, advogado do filho da presidente, integrante de escritório contratado pela própria agremiação e defensor constituído de dirigentes da instituição não pode disputar, em pé de igualdade, um concurso conduzido por essa mesma presidência, sem edital, sem critérios publicados, sem comissão julgadora independente e sem qualquer mecanismo de recurso.
Precisamente por isso, a carta de 26 de maio recomendou o veto preventivo — em favor, inclusive, do próprio nome artístico e profissional do advogado, que é mangueirense e que nada teria a ganhar com uma vitória permanentemente sob suspeita. A recomendação foi ignorada. O resultado está diante de todos: uma disputa que perde parcerias em plena ascensão.
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Tabela 1: A Disputa
de Samba-Enredo na Mangueira de 2016 a 2027 – Quantitativo de obras e compositores
inscritos. |
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ANO |
ENREDO |
PRESIDÊNCIA |
OBRAS INSCRITAS |
COMPOSITORES PARTICIPANTES |
MÉDIA |
POSIÇÃO |
|
2016 |
Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá |
Chiquinho da Mangueira |
32 |
146 |
4,6 |
Campeã |
|
2017 |
Só com a Ajuda do Santo |
Chiquinho da Mangueira |
24 |
107 |
4,5 |
4° Lugar |
|
2018 |
Com Dinheiro ou Sem Dinheiro, Eu Brinco |
Chiquinho da Mangueira |
18 |
96 |
5,3 |
5° Lugar |
|
2019 |
História pra Ninar Gente Grande |
Chiquinho da Mangueira |
16 |
83 |
5,2 |
Campeã |
|
2020 |
A Verdade Vos Fará Livre |
Elias Riche |
32 |
119 |
3,7 |
6° Lugar |
|
2021 |
não houve Carnaval (covid-19) |
Elias Riche |
— |
— |
— |
— |
|
2022 |
Angenor, José & Laurindo |
Elias Riche |
52 |
184 |
3,5 |
7° Lugar |
|
2023 |
As Áfricas Que a Bahia Canta |
Guanayra Firmino |
30 |
128 |
4,3 |
5° Lugar |
|
2024 |
A Negra Voz do Amanhã |
Guanayra Firmino |
24 |
135 |
5,6 |
7° Lugar |
|
2025 |
À Flor da Terra |
Guanayra Firmino |
11 |
61 |
5,6 |
6° Lugar |
|
2026 |
Mestre Sacaca do Encanto Tucuju |
Guanayra Firmino |
22 |
109 |
5,0 |
6° Lugar |
|
2027 |
Oyá por Nós (em andamento) |
Guanayra Firmino |
10 |
55 |
5,5 |
|
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TOTAL |
11 disputas |
— |
271 |
1.223 |
4,5 |
|
|
MÉDIA |
24,6 |
111,2 |
— |
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Fonte: Canal Estação Primeira de Mangueira, YouTube,
Rádio Arquibancada e Apaixonados Pela Mangueira. Organização: Pablo Brandão |
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IV. O USO DA JUSTIÇA CONTRA QUEM FISCALIZA
O Coletivo Transparência Mangueira denuncia, com a mesma
clareza, um segundo fenômeno: a transformação do aparato jurídico da agremiação
em instrumento de silenciamento de vozes críticas.
A atual gestão promoveu ação judicial contra blogueiro que se limitou a comentar publicamente o resultado de uma escolha de samba-enredo. Integrantes desta oposição respondem a processos movidos por dirigentes da escola — inclusive o subscritor desta nota. Sócios foram eliminados do quadro social após manifestações que desagradaram à Presidência, e integrantes da Velha Guarda foram afastados por comentários sobre a escolha do samba. Há, portanto, um padrão: quem discorda é processado, eliminado ou afastado.
Esse padrão tem nome técnico. Chama-se assédio judicial, ou litigância abusiva contra a participação pública. É a utilização da máquina processual não para reparar dano real, mas para impor custo, desgaste e medo a quem exerce crítica legítima. Quando a instituição que recebe recursos públicos federais contrata bancas de advocacia de grande porte e as emprega contra seus próprios sócios, ela deixa de ser uma escola de samba administrada e passa a ser um patrimônio cultural capturado.
Uma escola de samba que precisa de dois escritórios de advocacia
para lidar com seus sócios não tem um problema de sócios. Tem um problema de
gestão.
V. O PRECEDENTE HISTÓRICO QUE A MANGUEIRA JÁ DEVERIA TER APRENDIDO
Em 2007, a parceria vitoriosa da Mangueira contou com a
participação de pessoa apontada, à época, por reportagem do jornal Extra, como
figura ligada ao tráfico de drogas no Bairro de Mangueira, inscrita sob
codinome e em situação de liberdade condicional, sem autorização judicial para
subir ao palco com os demais compositores. Três meses depois, em janeiro, era
acusado de permanecer na chefia do tráfico local. O dano à imagem institucional
da agremiação já estava consumado.
Estamos falando de Francisco Paulo Testas Monteiro o Francisco do Pagode, ou o Tuchinha da Mangueira, compositor do samba-enredo: “100 Anos de Frevo é de perder o sapato – Recife mandou me chamar” que deixou a Mangueira em 10° lugar, seus parceiros na obra foram Lequinho, Jr. Fionda, Silvão e Aníbal. Francisco do Pagode, teve seu codinome revelado pela imprensa, logo após a escolha do samba-enredo, não chegou a desfilar, estava foragido da justiça, tendo sido preso, em Aracaju, no dia 23 de fevereiro de 2008, logo após o carnaval. O samba de sua autoria recebeu as seguintes notas: 10 | 9,7 | 9,9 | 9,9 ou seja: -0,5 do total de -6,1 que a escola era despontuada naquele carnaval.
É importante lembrar ainda que o então presidente da agremiação Percival Pires, havia renunciado a presidência da escola, em dezembro de 2007, quando teve vídeos e fotos de sua presença na festa de casamento do traficante Fernandinho Beira Mar, revelados pela imprensa. Perci, como era conhecido, era policial militar e conforme revelam as matérias daquele período, chegou a levar um diploma com a logomarca da Mangueira celebrando a data e parabenizando um dos traficantes mais violentos e perigosos do país.,
Aquele episódio ensinou, há quase vinte anos, que a ausência de identificação documental, de verificação prévia e de regras escritas de impedimento não protege ninguém — nem a escola, nem os compositores, nem a legitimidade do resultado. A Mangueira de 2026 não aprendeu a lição de 2007. Repete-a sob nova forma o que é mais grave ainda com a anuência do órgão que deveria fiscalizar, prevenir e coibir este tipo de exposição que é o Conselho Deliberativo e Fiscal que sob a presidência de João Carlos, tem sido um braço operativo nos mandos e desmandos da gestão Guanayra Firmino dos Santos.
VI. O SILÊNCIO E O SILENCIAMENTO COMO MÉTODOS
Luiz André de Barros Vasserstein, atual Vice-Presidente Jurídico
da Estação Primeira de Mangueira, advogado trabalhista com atuação em diversos
sindicatos e presidente da Liga das Escolas de Samba de Campos dos Goytacazes,
no Norte Fluminense, moveu ação judicial contra o blogueiro Ozzner em razão de
comentário publicado sobre a escolha do samba-enredo, conforme noticiado pela
coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, e amplamente reproduzido por outros
veículos de comunicação. O efeito prático de uma ação dessa natureza, movida
pelo ocupante do mais alto cargo jurídico da agremiação contra um comentarista,
é um só: advertir a todos que comentam e criticam sobre o custo de fazê-lo. A
gestão Guanayra Firmino dos Santos não convive com a contestação — e é por essa
razão que este Coletivo passa a expor o histórico institucional em que essa
ação se insere.
O comentário que motivou o processo tratava de tema que a história recente da Mangueira não permite considerar tabu. Em dezembro de 2004, o presidente eleito da Bateria da Mangueira, Robson Roque, foi assassinado e teve o corpo incinerado no local conhecido como "microondas", no alto do Morro do Telégrafo, um das localidades que compões o bairro Mangueira, só sendo identificado por exame de DNA. A Polícia Civil, à época, pelo delegado titular da 17ª DP, trabalhou publicamente com duas hipóteses: disputa por dinheiro da escola de samba e a recusa de Robson em favorecer a candidata preferida do tráfico no concurso de Rainha de Bateria. Foi nesse contexto que Ivo Meirelles, ao assumir a presidência da Ala da Bateria em 2006, aboliu o concurso de Rainha e convidou para o posto a cantora Preta Gil.
Em 2007, a parceria vencedora do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2008 incluiu, sob o nome artístico de "Francisco do Pagode", Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, que cumprira dezessete anos de prisão por crimes ligados ao tráfico de drogas e a quem a polícia atribuíra, em 1998, a ordem para o assassinato do então Mestre de bateria Alcyr Explosão.
Em dezembro de 2007, o presidente Percival Pires renunciou após ser filmado na festa de casamento do traficante Fernandinho Beira-Mar. Em fevereiro de 2008, a operação policial deflagrada após o desaparecimento do ex-mestre de bateria Waldir de Oliveira, o Mestre Gato, devassou imóvel contíguo à quadra dotado de passagem de acesso ao camarote da bateria — passagem que a polícia havia determinado que permanecesse aberta e que foi encontrada fechada. Na sequência dessa crise, Ivo Meirelles renunciou à presidência da Bateria.
Em 2009, Ivo Meirelles assumiu a presidência da Estação Primeira de Mangueira em pleito que se encerrou sem nenhuma chapa regularmente inscrita no prazo estatutário, conforme registrado pela imprensa especializada da época. Em 2011, foi indiciado no inquérito 017/1045/2011, da 17ª DP, por associação para o tráfico, instaurado a partir de denúncia de que teria sido imposto ao cargo por traficantes — acusação que sempre negou.
Em 2012, a Comissão Eleitoral da agremiação, presidida pelo então vice-presidente da própria escola e integrada por Luiz André de Barros Vasserstein, impugnou as duas chapas de oposição, de Percival Pires e de Raymundo de Castro, encaminhando o pleito à reeleição por aclamação do presidente em exercício, o senhor Ivo Meirelles. A oposição recorreu ao Poder Judiciário, que sustou por liminar qualquer ato do processo eleitoral, inclusive a aclamação, e posteriormente, por decisão do juízo da 36ª Vara Cível da Comarca da Capital, nomeou interventor para organizar, com nova comissão eleitoral, novo pleito, em razão de irregularidades na condução do processo.
No ciclo eleitoral seguinte, em 2013, Luiz André de Barros Vasserstein figurou como candidato justamente na chapa de Percival Pires — a mesma cuja impugnação a comissão que ele integrara havia decretado —, chapa derrotada por Chiquinho da Mangueira.
Doze anos depois, na gestão Guanayra Firmino dos Santos, Luiz André de Barros Vasserstein voltou a integrar a Comissão Eleitoral da Mangueira, responsável pelo pleito de 2025 — processo sobre o qual pesa notícia-crime formalizada por este Coletivo perante o GAECO/MPRJ, com relato de interferência de organização criminosa no certame, atualmente sob apuração, além de outras representações por nós encaminhadas aos órgãos de controle.
O quadro que se desenha dispensa adjetivos. O mesmo advogado atravessa, há mais de três décadas, as estruturas de poder da Mangueira: integrou a diretoria de Roberto Firmino nos anos 1990; a comissão eleitoral que impugnou a oposição em 2012, sob um pleito que terminou em intervenção judicial; a chapa dessa mesma oposição em 2013; e, hoje, acumula a Vice-Presidência Jurídica e teve assento na comissão eleitoral do pleito que reconduziu a atual presidente. Quem redige as regras, julga quem pode concorrer, defende judicialmente os dirigentes e processa quem os critica é, em todas as pontas, a mesma pessoa.
Não afirmamos aqui a prática de crime. Afirmamos algo que nenhum estatuto, nenhuma assembleia e nenhum tribunal consideram aceitável: a concentração, em um único ator, de funções que só têm sentido quando separadas. A Mangueira não precisa provar a má-fé de ninguém para exigir o óbvio — que quem julga não concorra, que quem defende não fiscalize, e que quem ocupa cargo estatutário não use a Justiça para calar a arquibancada.
VI. O QUE EXIGIMOS
Diante do exposto, o COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA requer formalmente ao Conselho Deliberativo e Fiscal, ao Conselho Diretor e à Assembleia Geral da Estação Primeira de Mangueira:
I. A suspensão imediata
do calendário de eliminatórias do concurso de samba-enredo de 2027 até a
publicação de edital formal, completo e previamente aprovado pelas instâncias
estatutárias competentes;
II. O afastamento da
Presidente Guanayra Firmino dos Santos de qualquer ato de condução,
deliberação, influência ou interferência, direta ou indireta, sobre o certame,
com transferência da coordenação geral ao Vice-Presidente Moacyr Barreto da
Silva Junior, assistido por Grupo de Trabalho plural constituído por
conselheiros indicados pelo Conselho Deliberativo e Fiscal;
III. A publicação
integral das regras de impedimento, com vedação expressa à participação de
dirigentes, membros do Conselho Diretor, vice-presidentes, parentes diretos de
dirigentes, contratados da escola e profissionais juridicamente vinculados à
direção da agremiação ou a escritórios por ela remunerados;
IV. A divulgação nominal
da comissão julgadora, das notas atribuídas e das respectivas justificativas,
com previsão de prazo e autoridade competente para julgamento de recursos;
V. A abertura de canal
formal para que a parceria retirante e as demais parcerias eliminadas
apresentem, por escrito e com garantia de não retaliação, as razões de sua
saída, com apuração pelo Conselho Deliberativo e Fiscal;
VI. A prestação de contas
pública sobre os contratos celebrados com os escritórios NELIO MACHADO
ADVOGADOS e BERMUDES ADVOGADOS, com indicação de objeto, valores, vigência,
fonte de custeio e demonstração de compatibilidade com as atribuições
estatutárias da Vice-Presidência Jurídica;
VII. ENCERRAMENTO
Nenhum
presidente é maior que a Mangueira. Nenhuma diretoria é proprietária de sua
história, de suas cores ou de seu patrimônio cultural. O samba-enredo não
pertence a quem ocupa temporariamente a presidência e não pode ser convertido
em moeda de troca política, jurídica ou de prestígio.
A
Estação Primeira de Mangueira é patrimônio cultural brasileiro. Carrega o nome
de Cartola, de Carlos Cachaça, de Saturnino Gonçalves, de Nelson Cavaquinho, de
Dona Neuma, de Nelson Sargento. Carrega, sobretudo, o Quilombo de Mangueira,
que a sustenta há noventa e oito anos. Nada disso pertence a uma gestão. Tudo
isso está sendo dilapidado por ela.
Uma escola cuja disputa de samba encolhe ano após ano, cujos carnavalescos se recusam a assinar seu carnaval, sendo necessário buscar em outras praças profissional para tal, cujos compositores históricos deixam de se inscrever e cujas parcerias favoritas abandonam a competição em pleno curso não enfrenta uma crise de talento. Enfrenta uma crise de confiança. E crise de confiança não se resolve com advogado. Resolve-se com transparência, com regra escrita e, quando necessário, com a substituição de quem a produziu.
Saudações Mangueirenses.
É
na luta que a gente se encontra!
CONTATO PARA IMPRENSA, DÚVIDAS, SUGESTÕES, DENÚNCIAS:
COLETIVO
TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA
PABLO ROGERS DIAS FERREIRA BRANDÃO
Matrícula de Sócio Contribuinte nº 8.644
CPF: 022.541.241-10
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Celular e Whatsapp: (21) 99920-2246
Dossiê Fala Mangueira: https://falamangueirafala.blogspot.com/
OUTRAS INFORMAÇÕES:
1.
SOBRE O COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA
O
Coletivo Transparência Mangueira é uma iniciativa cívica e apartidária de
sócios, componentes e também de moradores da Mangueira, dedicada à fiscalização
da vida institucional do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de
Mangueira. Sua atuação nasce de uma convicção simples: uma agremiação que é
patrimônio cultural brasileiro, que recebe recursos públicos federais, estaduais
e municipais e que carrega noventa e oito anos de história construída pela
comunidade não pode ser administrada como propriedade particular de quem
temporariamente a dirige.
O Coletivo Transparência Mangueira trabalha exclusivamente com documentos públicos e verificáveis — termos de fomento, prestações de contas, atas, editais, decisões judiciais e registros de imprensa —, produzindo dossiês, representações e pedidos de acesso à informação encaminhados aos órgãos de controle competentes, entre eles o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal.
O trabalho do Coletivo Transparência Mangueira é movido por amor institucional à Mangueira. Fiscalizar não é atacar a escola: é defendê-la de quem a fragiliza. Foi nesse espírito que o Coletivo apresentou, em maio de 2026, proposta formal de edital para o concurso de samba-enredo, com regras escritas, critérios públicos de julgamento, impedimentos para conflitos de interesses e mecanismos de democratização da participação de jovens, mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTQIA+ e moradores do território — proposta até hoje sem resposta.
O Coletivo Transparência Mangueira mantém a campanha "Salvem a Mangueira: Novas Eleições Já", que conta até o momento com 467 assinaturas, conforme o link abaixo: Abaixo-assinado · NOVAS ELEIÇÕES NA MANGUEIRA JÁ!
O blog Fala, Mangueira! (falamangueirafala.blogspot.com) e a série histórica documental das disputas de samba-enredo da agremiação, e reafirma que nenhum presidente é maior que a Mangueira, nenhuma diretoria é proprietária de suas cores e nenhuma crítica legítima será silenciada por processo judicial.
2.
PABLO BRANDÃO
Pablo
Rogers Dias Ferreira Brandão é historiador, pesquisador e gestor cultural, com
cerca de duas décadas de atuação na interseção entre cultura, memória e
políticas públicas. Sócio contribuinte da Estação Primeira de Mangueira sob a
matrícula nº 8.644, exerceu na própria agremiação os cargos de Vice-Presidente
Social e Financeiro e integrou a comissão de reforma do Estatuto de 2023, sendo
ainda o autor técnico do projeto do Acervo Virtual de Mangueira, que concebeu e
estruturou em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Membro
da ÁFRICA (Agência Facilitadora para Investimentos Culturais) coordena a equipe
de certificação do Quilombo Mangueira, junto a Fundação Cultural Palmares é
fundador da Associação Ambiental Mangueira Sustentável, é consultor técnico da
UNESCO e foi pesquisador da série documental "Enredos da Liberdade"
(Globoplay), tendo ocupado, na administração pública, subsecretarias municipais
no Rio de Janeiro e em Maricá e tendo sido membro do Conselho Nacional de Juventude.
É fundador e atual coordenador do Coletivo Transparência Mangueira.
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