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NOTA OFICIAL COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA

A DEMOCRACIA MANGUEIRENSE DESRESPEITADA O Coletivo Transparência Mangueira recebeu com preocupação a publicação, nos canais da Estação Primeira de Mangueira, de nota declarando apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Não questionamos a liberdade política de associados, dirigentes, componentes ou moradores. Cada cidadão é livre para apoiar, votar e fazer campanha para quem desejar. Contestamos o uso da marca, dos canais oficiais e da representação coletiva da Mangueira para manifestação político-partidária, transformando uma instituição plural em instrumento partidário. O Estatuto Social é explícito: o artigo 3º define a Mangueira como associação de direito privado APARTIDÁRIA. O artigo 13, alínea “g”, determina que não sejam mantidas no recinto social discussões sobre assuntos político-partidários ou religiosos. Uma escola de samba não pode ser confundida com as preferências eleitorais de seus dirigentes. Também chama atenção que a nota invoque libe...

FALA, MANGUEIRA! MANGUEIRA, FALA!

 FALA, MANGUEIRA!

Há momentos cruciais na vida de um povo em que o destino convoca à responsabilidade e à coragem. A Estação Primeira de Mangueira, farol da alma nacional e o Jequitibá do samba, enfrenta um desses momentos. Árvore centenária, de tronco firme e copa majestosa, sua força sempre residiu na capacidade de resistir às tempestades, envergando sem jamais quebrar. Contudo, até a mais sólida fortaleza pode ser corrompida quando o zelo é, na verdade, uma máscara para a ambição e o orgulho, permitindo que a maldade encontre morada e apodreça a raiz por dentro.

Essa força imponente, que amamos e admiramos, corre perigo quando o falso cuidado impede seu fortalecimento natural. Um líder ambicioso, para se mostrar protetor, apaga o fogo, instala apoios contra o vento e afasta o machado. O resultado é desastroso: a casca do Jequitibá enfraquece, e uma praga silenciosa o consome internamente. A árvore, aparentemente frondosa e erguida, está em verdade pedindo socorro, correndo o risco iminente de uma queda súbita, cujo estrondo ecoará como a morte de uma instituição.

O coração da escola, sua Bateria, foi ferido na fatídica madrugada de domingo, 28 de setembro de 2025. Após a comunidade aclamar o samba de quatro mulheres negras, amazônicas e professoras, que representavam a alma do enredo, a proclamação de uma obra de homens brancos da zona sul como vencedora fez o compasso quebrar. O que se viu não foi o silêncio do luto e do respeito, como no passado por Nair Pequena, mas o da perplexidade e do desânimo. Silenciaram a Mangueira, e esse ato calou a celebração e feriu o espírito popular.

Este silenciamento é sintoma de um mal maior: quando as baianas são maltratadas, quando mulheres negras são afastadas para dar lugar a homens brancos e vozes dissidentes são censuradas para proteger uma falsa imagem de coerência. Quando a ética se corrompe em nome de interesses pessoais e familiares. Por isso, é preciso que a Mangueira Fale! Que falem os tamborins, a bateria, os poetas, as passistas e a comunidade. É preciso lutar para que a força de sua tradição se mostre e para que o Jequitibá do samba não morra por dentro.

Mangueira, Fala! 
Fala, Mangueira!

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