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NOTA OFICIAL COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA

A DEMOCRACIA MANGUEIRENSE DESRESPEITADA O Coletivo Transparência Mangueira recebeu com preocupação a publicação, nos canais da Estação Primeira de Mangueira, de nota declarando apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Não questionamos a liberdade política de associados, dirigentes, componentes ou moradores. Cada cidadão é livre para apoiar, votar e fazer campanha para quem desejar. Contestamos o uso da marca, dos canais oficiais e da representação coletiva da Mangueira para manifestação político-partidária, transformando uma instituição plural em instrumento partidário. O Estatuto Social é explícito: o artigo 3º define a Mangueira como associação de direito privado APARTIDÁRIA. O artigo 13, alínea “g”, determina que não sejam mantidas no recinto social discussões sobre assuntos político-partidários ou religiosos. Uma escola de samba não pode ser confundida com as preferências eleitorais de seus dirigentes. Também chama atenção que a nota invoque libe...

CHEGA DE SILÊNCIO. O POVO QUER RESPOSTAS.

A Comunidade de Mangueira não pode aceitar que instituições criadas para defender o povo sejam transformadas em espaços de silêncio, omissão e alianças políticas voltadas à manutenção de poder. O papel histórico de uma Associação de Moradores é proteger direitos, denunciar abusos, lutar por melhores condições de vida e representar os interesses coletivos da população. Quando isso deixa de acontecer, instala-se uma grave ruptura entre a direção institucional e a própria comunidade.



Ao longo dos últimos anos, denúncias, questionamentos públicos, documentos, processos administrativos e manifestações de moradores passaram a apontar possíveis irregularidades, ausência de transparência e falta de respostas concretas sobre recursos públicos, projetos culturais, contratos e decisões políticas que impactam diretamente o Quilombo de Mangueira. Ainda assim, prevaleceu o silêncio institucional.


Entre os principais questionamentos levantados pela população está a ausência de esclarecimentos públicos sobre projetos financiados com recursos federais destinados à realização de oficinas culturais e atividades comunitárias. Moradores e integrantes da comunidade passaram a cobrar explicações sobre execução, prestação de contas, número de beneficiários efetivos e comprovação material das ações anunciadas. A cobrança por transparência não recebeu resposta proporcional à gravidade das dúvidas apresentadas.


Outro ponto que gerou forte indignação foi a denúncia envolvendo contratos de alimentação e fornecimento de lanches vinculados a projetos executados no território. Questionamentos sobre valores elevados, comprovação de entrega, registros fotográficos e coerência documental passaram a circular entre moradores, pesquisadores e integrantes da própria escola de samba, ampliando a pressão por auditoria e fiscalização independente sobre o uso dos recursos públicos.


Também provocou repercussão a relação entre dirigentes, fornecedores e pessoas ligadas à gestão de projetos culturais financiados com dinheiro público. A população passou a questionar possíveis conflitos de interesse, concentração de decisões e relações cruzadas entre agentes institucionais, dirigentes e empresas contratadas, cobrando mecanismos mais rígidos de integridade, governança e controle social.


A crise política interna da Mangueira também se aprofundou diante das denúncias relacionadas ao processo eleitoral da escola de samba. Associados e integrantes da comunidade passaram a contestar procedimentos, prazos e atos administrativos ligados à condução das eleições, apontando possíveis vícios formais e ausência de ampla transparência no processo democrático interno. O tema chegou ao Poder Judiciário e ampliou o sentimento de desgaste institucional.


Por fim, moradores denunciam o afastamento progressivo entre lideranças comunitárias e a realidade cotidiana da população do Morro de Mangueira. Em meio a problemas históricos de saneamento, violência, ausência de políticas públicas e precarização social, cresce a percepção de que parte das estruturas institucionais deixou de priorizar a defesa concreta dos moradores para atuar em função de disputas políticas, interesses financeiros e manutenção de influência.


Mangueira resiste porque seu povo resiste. A história construída por sambistas, trabalhadores, mulheres negras, compositores, baluartes, lideranças comunitárias e moradores não pertence a grupos políticos nem pode ser utilizada como patrimônio privado. Transparência, participação popular, democracia interna e respeito à comunidade não são favores: são deveres institucionais.



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