Avançar para o conteúdo principal

Coletivo cobra novas eleições na Mangueira e denuncia crise de transparência na agremiação

 

Coletivo cobra novas eleições na Mangueira e denuncia crise de transparência na agremiação

Abaixo-assinado defende restauração da democracia interna, apuração de inconsistências em projetos com recursos públicos e responsabilização após episódio de agressão a jornalista na Sapucaí

Uma exposição pública de documentos, denúncias administrativas e manifestações de integrantes da comunidade reacendeu o debate sobre a governança interna da Estação Primeira de Mangueira. O Coletivo Transparência Mangueira passou a defender a convocação de novas eleições gerais, livres, transparentes e estatutariamente regulares para a direção da agremiação, sob o argumento de que a escola vive uma crise de legitimidade, publicidade institucional e confiança interna.

Clique e assine. 

O movimento reúne associados, integrantes da comunidade, trabalhadores da cultura, pesquisadores, torcedores e cidadãos ligados à história da Verde e Rosa. Em abaixo-assinado divulgado publicamente, os signatários afirmam que a Mangueira “não pertence a uma gestão, a uma família, a um grupo ou a interesses particulares”, mas à sua comunidade, aos seus fundadores, aos seus componentes e ao povo que construiu uma das mais importantes instituições do samba brasileiro.

Segundo o coletivo, documentos reunidos em bases públicas como Transferegov, SALIC e Receita Federal indicariam, em tese, inconsistências em projetos executados com recursos públicos federais. Entre os pontos mencionados estão suspeitas de processos de cotação de preços sem consistência material, uso de empresas extintas ou com vínculos entre si, propostas comerciais sem elementos mínimos de validade, contratações sem comprovação adequada de capacidade técnica, ausência de instrumentos contratuais regulares e incompatibilidades com planos de trabalho aprovados.

Clique e assine. 

O grupo também aponta indícios de concentração de funções relacionadas à gestão financeira, autorização e ordenação de despesas, além de contratação de pessoas com vínculos pessoais ou familiares com a presidência. Há ainda questionamentos sobre possível utilização de documentos, fotografias e registros de projetos distintos para comprovar execuções perante órgãos federais de cultura. Para o coletivo, caso confirmados pelos órgãos competentes, os fatos revelariam um quadro incompatível com a transparência, a moralidade administrativa e a responsabilidade exigida de uma entidade cultural que recebe recursos públicos e representa patrimônio histórico do samba brasileiro.

A mobilização ganhou força nas redes sociais e em plataformas de participação pública. Em janeiro de 2026, o coletivo informou ter alcançado 174 apoiadores. Dias depois, afirmou caminhar para 300 assinaturas, defendendo que a luta por transparência não se encerraria no abaixo-assinado, mas deveria se transformar em ação cotidiana de acompanhamento, divulgação de informações e controle social. O grupo também passou a divulgar uma biblioteca virtual, informativos e canais de contato para ampliar a circulação dos documentos reunidos.

Clique e assine. 

Além das denúncias administrativas, outro episódio agravou a crise pública: a agressão a um jornalista durante ensaio da Mangueira na Marquês de Sapucaí. Segundo manifestação do coletivo, integrantes vinculados à agremiação teriam constrangido e agredido o profissional no exercício regular de sua atividade. Para o grupo, o caso ultrapassa a esfera individual e atinge diretamente a liberdade de imprensa, a segurança dos trabalhadores da cultura e o direito da sociedade de receber informações sobre eventos públicos e culturais.

A nota oficial divulgada pela escola, na avaliação dos críticos, não teria sido suficiente para reparar o dano institucional. O coletivo afirma que a resposta foi evasiva, deslocou responsabilidades e não apresentou medidas concretas de apuração, responsabilização e prevenção. Para os signatários, uma instituição da importância da Mangueira deveria reconhecer a gravidade do episódio, garantir desagravo ao jornalista, revisar protocolos de atuação e assegurar que seus espaços sejam seguros para imprensa, público, trabalhadores e componentes.

Clique e assine. 

No centro da reivindicação está a defesa de que a saída democrática para a crise não pode ser o silêncio, a intimidação ou a continuidade de um ambiente marcado por dúvidas e perda de legitimidade. O coletivo sustenta que a recomposição institucional exige a devolução da palavra aos associados, por meio de eleições com regras claras, ampla publicidade, comissão eleitoral independente, respeito ao Estatuto Social, acesso isonômico às informações, fiscalização efetiva e garantia de participação dos diferentes segmentos da escola.

A Mangueira, fundada em 1928 e consagrada como uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, ocupa lugar central na história do samba, da música, da memória negra e da identidade cultural do Rio de Janeiro. Por isso, os apoiadores do abaixo-assinado argumentam que a defesa da transparência não deve ser interpretada como ataque à escola, mas como medida de proteção institucional.

Clique e assine. 

Para o Coletivo Transparência Mangueira, a convocação de novas eleições seria uma forma de restaurar a democracia interna, recompor a confiança da comunidade e reafirmar que a grandeza da Verde e Rosa está em sua coletividade, sua ancestralidade e sua capacidade histórica de se reinventar diante das crises.

MOBILIZE!

O movimento encerra sua manifestação com uma palavra de ordem direta: Fora Guanayra! Eleições já!. A frase sintetiza a avaliação política do coletivo de que a permanência da atual presidência se tornou institucionalmente insustentável e que a escola precisa de um novo processo de escolha, publicizado, transparente e fiscalizável.


Enquanto os questionamentos seguem sendo divulgados e encaminhados aos órgãos competentes, a crise expõe um debate maior: como garantir que entidades culturais de enorme relevância simbólica, histórica e pública adotem padrões mínimos de governança, transparência, prestação de contas, proteção à imprensa e respeito à democracia interna.

Clique e assine. 

Para os signatários, a resposta passa por uma ideia simples: a Mangueira é patrimônio do povo, e patrimônio do povo exige controle social, documentação pública, responsabilidade institucional e participação democrática.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vice-presidente Financeiro Armando Lito mente para a Justiça? Falta lastro documental para confirmar a veracidade de ofício encaminhado a Juizado.

  O Vice-presidente Financeiro da Estação Primeira de Mangueira, Armando Lito afirmou a Justiça Brasileira, que o Senhor DIEGO FIRMINO SANTIAGO SALES filho da presidente GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS trabalha na Mangueira, desde 2012, e atualmente é DIRETOR DE BARRACÃO da agremiação.  Armando Lito diz a verdade?  Diego Firmino Santiago Sales é funcionário da Mangueira do Barracão da Mangueira desde 2012? Não consta em nenhum documento que ele trabalha na Mangueira, será que Armando diz a verdade? Onde constam as informações que corroboram com o documento assinado com Armando Lito? O nosso time foi investigar...  FICHA TÉCNICA MANGUEIRA 2012: O Réu não consta na mesma. Link: https://liesa.org.br/memoria/outros-carnavais/2012/   O Senhor Armando Lito talvez tenha se enganado em relação aos anos.  Ficha Técnica Livro Abre-Alas da Mangueira Carnaval 2013 - I Presidente: Ivo Rene Meirelles Diretor de Barracão: Roberto Benevides e Jéferson Carlos Link: htt...

DEMOCRACIA NÃO É DISCURSO: É PRÁTICA, CORAGEM E COERÊNCIA

Há uma pergunta que precisa ser feita, em voz alta, dentro da Mangueira: que democracia é essa que muitos defendem nas redes sociais, nos discursos públicos, nos textos acadêmicos e nas rodas de conversa, mas abandonam na Rua Visconde de Niterói? Que defesa do Estado Democrático de Direito é essa que se levanta contra o golpe de 8 de janeiro de 2023, na Esplanada dos Ministérios, mas se cala diante do sequestro institucional ocorrido na noite de 10 de março de 2025, no Palácio do Samba? Que cidadãos são esses que se dizem defensores dos direitos humanos, antifascistas, progressistas, democratas, que repetem que “ninguém solta a mão de ninguém”, mas colaboraram, direta ou indiretamente, com a farsa da chapa única na Estação Primeira de Mangueira? Quando o golpe eleitoral e institucional acontece dentro da nossa própria casa, o que se revela é ainda mais grave: muitos daqueles que se dizem democratas passam a colaborar, tolerar ou silenciar diante do sequestro político da Mangueira. E es...

Servidora Federal Há 40 Anos, Presidente da Mangueira Acumula Cargos em Três Órgãos Públicos Sem Comprovação de Frequência

  Ofício, encaminhado a Superintendência do Ministério da Saúde do Estado do Rio de Janeiro, direcionado a Senhora Maria Aparecida Diogo, requer a apuração administrativa preliminar e a prestação de informações formais acerca da situação funcional da servidora Guanayra Firmino dos Santos, matrícula SIAPE 653754, identificada em consulta pública como servidora pública federal ativa, vinculada ao Ministério da Saúde, no cargo de Auxiliar Operacional de Serviços Diversos, com jornada de 40 horas semanais. Conforme registros funcionais consultados, a referida servidora figura com vínculo ativo no Poder Executivo Federal, vinculada ao Ministério da Saúde, em situação funcional descrita como “cedido SUS/Lei 8.270”, com referência à Policlínica Piquet Carneiro, unidade vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Nos mesmos assentamentos constam, ainda, como dados relevantes, o ingresso no serviço público federal em 14/03/1985, o ingresso no cargo em 01/03/2006 e a vincula...