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Do Morro da Mangueira à Coreia: exposição internacional celebra o samba como patrimônio brasileiro A Mangueira do outro lado do mundo: verde e rosa ocupa museu nacional na Coreia

Uma exposição sobre a Mangueira do outro lado do mundo. É isso mesmo: o verde e rosa da maior escola de samba do planeta conquistou o público coreano. Realizada no National Folk Museum of Korea, em Paju, região metropolitana de Seul, a mostra “Rio Carnival of Brazil: The Soul of Africa, the Rhythm of Samba” apresentou ao público asiático a força artística, histórica e simbólica do Carnaval do Rio de Janeiro, tendo a Estação Primeira de Mangueira como grande representante do samba brasileiro. A exposição ficou em cartaz entre 16 de dezembro de 2025 e 15 de março de 2026, no lobby do primeiro andar do museu.

A mostra reuniu fantasias, instrumentos musicais e estruturas alegóricas utilizadas pela Mangueira no Carnaval de 2025, quando a escola levou para a Avenida o enredo “À Flor da Terra”. O tema abordou a memória dos povos africanos de origem banto, suas dores, deslocamentos, formas de resistência e contribuições decisivas para a formação cultural brasileira. Assim, o Carnaval foi apresentado não apenas como espetáculo, mas como narrativa histórica, patrimônio cultural imaterial e expressão comunitária de arte, fé, memória e identidade popular.

O projeto nasceu de uma iniciativa de pesquisa e coleta do museu coreano sobre grandes festas populares do mundo. Segundo texto publicado pelo próprio National Folk Museum of Korea, assinado por Hwang Gi-jun, pesquisador-curador da instituição, a escolha do Carnaval do Rio e da Mangueira abriu uma janela para compreender o samba como cultura viva, nascida da experiência afro-brasileira e preservada por instituições comunitárias chamadas escolas de samba.

A repercussão da exposição ganhou ainda mais força com a visita da Primeira-Dama do Brasil, Janja Lula da Silva, acompanhada da primeira-dama sul-coreana Kim Hye-kyung, em fevereiro de 2026. Durante a visita, Janja explicou aspectos da história do samba, do Carnaval e da diversidade cultural brasileira diante da sinalização dedicada à Mangueira Samba School. A imprensa coreana registrou que a exposição já havia atraído mais de 250 mil visitantes até aquele momento, demonstrando o interesse do público local pela cultura brasileira.

A presença da Mangueira em um museu nacional da Coreia do Sul representa mais do que uma homenagem a uma escola de samba. Representa o reconhecimento internacional do samba como patrimônio artístico sofisticado, construído por comunidades populares, trabalhadores da cultura, compositores, ritmistas, costureiras, escultores, aderecistas, carnavalescos e mestres de tradição. Cada fantasia, instrumento e alegoria expostos carrega saberes coletivos que atravessam gerações.

Do Rio de Janeiro a Paju, a Mangueira mostrou que o samba fala muitas línguas. Fala português, fala tambor, fala corpo, fala ancestralidade. Na Coreia, o verde e rosa apresentou ao mundo um Brasil profundo: africano, popular, criativo, comunitário e universal. Mais do que uma exposição sobre Carnaval, foi uma aula de diplomacia cultural, memória afro-atlântica e valorização do patrimônio imaterial brasileiro.



Primeira dama do Brasil Janja Lula da Silva visitou a exposição na Coréia do Sul e ficou emocionada 

O que chama atenção é que as páginas oficiais da escola nas redes sociais, não se pronunciaram sobre este acontecimento histórico e extremamente importante para a agremiação, nunca nenhuma escola de samba do Brasil, recebeu prestigio tão grande como a Mangueira. Segundo o curador da exposição o processo de pesquisa, aquisição e transporte e preparação das peças cumprindo os requisitos alfandegários, jurídicos e outros recebeu um investimento de R$ 25 milhões de reais do governo coreano. Gi-jun agradeceu em seu texto a articulação de Rafael Zamorano Bezerra do IPHAN, e ao Museu do Samba, na pessoa da Nilcemar Nogueira, diretora da instituição, além de ser neta do Cartola.












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