No dia 24 de junho de 2026, a presidenta da Estação Primeira de Mangueira, Guanayra Firmino dos Santos, compareceu ao gabinete do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, acompanhada de dois integrantes de sua diretoria: Armando de Brito Antunes Lito do Nascimento, vice-presidente financeiro, e Thiago Firmino Santiago Sales, vice-presidente de Eventos e filho da própria presidenta. O encontro contou ainda com a presença de Leonardo Pavão.
A publicação oficial da Mangueira apresentou a visita como uma homenagem ao prefeito, que recebeu um pavilhão da escola. O texto comemorou que o gabinete municipal havia ficado mais bonito com as cores verde e rosa e agradeceu o carinho da autoridade. Disponível em: Postagem oficial da Mangueira
Mas o que, além de uma fotografia e da entrega do pavilhão, a Estação Primeira levou ao gabinete do prefeito Eduardo Cavaliere, através de sua representante legal a presidenta Guanayra Firmino? CONSTRANGIMENTO?
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A pergunta ganha importância quando observamos quem foi escolhido para integrar a comitiva e os problemas administrativos que já eram objeto de questionamentos à época da reunião.
ARMANDO LITO: O RESPONSÁVEL FINANCEIRO E OS CONTRATOS QUESTIONADOS
Armando Antunes Lito Brito do Nascimento não é apenas um acompanhante da presidenta. Como vice-presidente financeiro, seu nome aparece em documentos relacionados à administração de projetos culturais financiados com recursos públicos.
Entre as questões que demandam esclarecimento estão os pagamentos identificados no PRONAC nº 233873, projeto Oficinas Culturais na Mangueira, executado pelo Instituto Mangueira Esperança.
Os documentos examinados pelo Coletivo Transparência Mangueira apontam R$ 300 mil destinados à Zion Lito Comércio de Alimentos e Bebidas Ltda. e R$ 150 mil à Pancultural Eventos e Projetos Culturais Ltda., empresas vinculadas a Armando. As despesas levantam questionamentos sobre conflito de interesses, procedimentos de contratação, comprovação da execução dos serviços e separação das responsabilidades financeiras.
Também existem questionamentos relativos à sua participação na administração dos Termos de Fomento nº 941311/2023 e nº 959526/2024, celebrados com o Ministério da Cultura.
Armando Lito enviou comprovações notadamente falsas ao Ministério da Cultura para comprovar os R$ 300 mil reais em lanches de sua empresa, que se encontra neste momento com o CNPJ inativo, devido a atuação da Receita Federal.
THIAGO FIRMINO: O FILHO DA PRESIDENTA
Thiago Firmino, vice-presidente de Eventos, também integra o círculo familiar da presidenta Guanayra Firmino.
Sua participação no projeto Oficinas Carnavalescas da Mangueira, financiado pelo Termo de Fomento nº 959526/2024, no valor de R$ 1,5 milhão, suscita questionamentos sobre a contratação de dirigentes e familiares em projetos executados pela própria agremiação. Em ofício encaminhado ao Ministério da Cultura que solicitava explicações da agremiação sobre a contratação de parentes da presidenta Armando Lito, disse textualmente em documento que a presidente jamais cometeria tais irregularidades. Não é que era visto na execução dos pagamentos.
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É necessário esclarecer quais foram os critérios utilizados para sua escolha, qual procedimento formalizou sua contratação remunerada, quais atividades efetivamente desempenhou e como essa contratação se compatibiliza com o Estatuto Social e as regras aplicáveis à parceria federal.
O nome de Thiago também foi associado, em denúncias apresentadas pela Chapa Renova Mangueira do episódio de agressão contra um jornalista durante o ensaio técnico da Mangueira na Marquês de Sapucaí, em 30 de janeiro de 2026. A própria escola reconheceu publicamente que a abordagem ao profissional foi inadequada e anunciou providências. A responsabilidade individual de Thiago pelo episódio, foi escondida por sua mãe que não o afastou da diretoria como maneira de demonstrar que não coaduna com maus feitos e com violências covardes e gratuitas até mesmo aquelas praticadas por qualquer de seus filhos. Delírio, pensar que uma mulher que agride uma participante de um reality show é capaz de algum ato de honestidade ainda em sua vida.
A QUESTÃO CENTRAL: QUAL FOI A PAUTA DA REUNIÃO?
Uma instituição da importância histórica e cultural da Mangueira tem inúmeras razões para manter interlocução com o prefeito da cidade. Olhemos para a história é fundamental. O problema não está na visita, mas na ausência de informações públicas sobre os resultados institucionais do encontro. O que Guanayra foi fazer no gabinete do prefeito? Levar um quadro com a bandeira da Mangueira, ótimo, mas isso é muito pouco.
Se houve uma agenda de trabalho, onde estão a pauta, os documentos apresentados, as propostas e os encaminhamentos acordados?
E, principalmente, por que os dois dirigentes escolhidos para acompanhar Guanayra foram justamente Armando Lito e Thiago Firmino? Que atribuições específicas justificaram a participação de cada um?
A MANGUEIRA PRECISA DE RESULTADOS, NÃO APENAS DE FOTOGRAFIAS.
A relação entre a maior escola de samba do planeta e o Poder Público deve ser acompanhada de objetivos institucionais claros, transparência e resultados verificáveis.
O pavilhão representa a história de gerações de mangueirenses. Sua entrega a uma autoridade pública pode constituir um gesto legítimo de reconhecimento cultural, mas não substitui a apresentação de demandas, a elaboração de projetos nem a prestação de contas sobre as atividades da diretoria.
Afinal, a reunião foi uma agenda de trabalho em defesa dos interesses da Estação Primeira ou apenas uma visita de cortesia transformada em publicidade institucional?
O que a Mangueira ganhou concretamente com esse encontro?
O prefeito recebeu o pavilhão. E a comunidade mangueirense, recebeu o quê?
Essa inauguração foi possível graças a incansável articulação de Saturnino Gonçalves, o Satú. Ele quem pediu ao prefeito Pedro Ernesto, quando teve uma única oportunidade de se encontrar com ele, a segunda já muito debilitado pelo avanço da tuberculose, Saturnino pediu para que o prefeito intervisse e não deixasse acontecer a remoção dos moradores da favela do Santo Antônio, atualmente a área conhecida como Loteamento. Saturnino faleceu no dia 29 de abril de 1935, um dia após a fundação da Estação Primeira que desfilou uma última vez para o seu primeiro presidente. No ano seguinte o prefeito Pedro Ernesto inaugurou a primeira escola pública para crianças pretas do Brasil, quase cinco décadas depois da abolição da escravidão. Para a inauguração uma grande festa foi planejada pela União das Escolas de Samba, entidade criada por ideia, inciativa e esforço de Saturnino, que ocupou a vice-presidência. Todas as escolas de samba estiveram presente para realização de um grande desfile em homenagem ao prefeito.
Essa inauguração foi possível graças a incansável articulação de Saturnino Gonçalves, o Satú. Ele quem pediu ao prefeito Pedro Ernesto, quando teve uma única oportunidade de se encontrar com ele, a segunda já muito debilitado pelo avanço da tuberculose, Saturnino pediu para que o prefeito intervisse e não deixasse acontecer a remoção dos moradores da favela do Santo Antônio, atualmente a área conhecida como Loteamento. Saturnino faleceu no dia 29 de abril de 1935, um dia após a fundação da Estação Primeira que desfilou uma última vez para o seu primeiro presidente. No ano seguinte o prefeito Pedro Ernesto inaugurou a primeira escola pública para crianças pretas do Brasil, quase cinco décadas depois da abolição da escravidão. Para a inauguração uma grande festa foi planejada pela União das Escolas de Samba, entidade criada por ideia, inciativa e esforço de Saturnino, que ocupou a vice-presidência. Todas as escolas de samba estiveram presente para realização de um grande desfile em homenagem ao prefeito.

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