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NOTA OFICIAL COLETIVO TRANSPARÊNCIA MANGUEIRA: AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03

Rio de Janeiro, 05 de setembro de 2026 PABLO ROGERS DIAS FERREIRA BRANDÃO Coletivo Transparência Mangueira 21 99920-2246 | pablobrandaorj@gmail.com   AS SETE CONTRADIÇÕES DE GUANAYRA FIRMINO DOS SANTOS NO EPISÓDIO DA RETIRADA DO SAMBA Nº 03 I. "NÃO FOMOS PREVIAMENTE INFORMADOS" — ATÉ O PRINT DESMENTIR   A   Nota Oficial, apresentada como posição institucional da Presidência, afirma que a escola tomou conhecimento da retirada "por meio das redes sociais" e lamenta a condução do fato "SEM QUE FOSSE PREVIAMENTE INFORMADA".   O print de WhatsApp — divulgado pela própria presidenta, com a triunfante legenda "SEGUE PRINT!" — comprova o recebimento, às 11h12 do dia 12 de agosto de 2026, de comunicação formal e protocolar, endereçada nominalmente a ela ("Prezada Presidente Guanayra / Por meio desta, comunicamos formalmente..."), assinada pela "Parceria Samba nº 03 – Carnaval 2027". A comunicaçã...

Xande de Pilares desmente presidente da Mangueira, Guanayra Firmino: “MENTIRA! Foi comunicada antes”

“MENTIRA”: XANDE DE PILARES DESMENTE VERSÃO DIVULGADA PELA MANGUEIRA E REABRE CRISE SOBRE RETIRADA DE SAMBA

Semanas depois de deixar a disputa, sambista afirma que a direção foi avisada previamente. Gilson Bernini já havia apresentado a mesma versão e citado e-mail, WhatsApp respondido pela presidenta e comunicação ao diretor de Carnaval. Caso transformou a desistência do Samba 03 em uma das maiores controvérsias da disputa da Mangueira para 2027.


O cantor e compositor Xande de Pilares durante a apresentação do samba na Mangueira
Xande de Pilares na Quadra da Mangueira 


O que começou como a surpreendente desistência de uma das parcerias apontadas como favoritas ao samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval de 2027 transformou-se numa disputa pública de versões sobre a atuação da presidência da escola. Agora, semanas depois do episódio, Xande de Pilares resolveu falar.

Questionado em entrevista divulgada pelo Xiado Carioca sobre a retirada do Samba 03, Xande foi taxativo ao ouvir a versão segundo a qual a Mangueira teria tomado conhecimento da desistência pelas redes sociais:

“Mentira. Não foi pelas redes sociais. Foi feito um comunicado.”

A declaração atinge diretamente o primeiro parágrafo da Nota Oficial divulgada pela Estação Primeira de Mangueira em 12 de agosto. Naquele documento, publicado institucionalmente pela escola presidida por Guanayra Firmino dos Santos, a agremiação informou ter tomado conhecimento “por meio das redes sociais” da decisão da parceria de abandonar as eliminatórias.

Não se trata, portanto, de uma divergência sobre a qualidade de um samba ou de diferentes interpretações sobre uma apresentação. Existem duas versões objetivamente incompatíveis sobre um mesmo fato: a direção sabia ou não sabia antes da publicação nas redes sociais?

O SAMBA QUE ESTAVA CRESCENDO NA DISPUTA

A dimensão da crise só pode ser compreendida quando se observa o que estava acontecendo antes da desistência.

O Samba nº 03 era assinado por Gilson Bernini, Xande de Pilares, Karinah, Gustavo Clarão, Beto Savanna e Felipe Mussili. Antes mesmo do início das eliminatórias, a parceria recebeu ampla divulgação em portais, sites de carnaval e páginas especializadas.

Na primeira eliminatória, realizada em 1º de agosto, o samba abriu as apresentações no Palácio do Samba e avançou. Quatro das dez obras inscritas foram eliminadas naquela primeira noite.

Em 8 de agosto, voltou ao palco na segunda eliminatória. A avaliação publicada pelo site Carnavalesco destacou uma apresentação de forte energia, conduzida por Pitty de Menezes e Ito Melodia, registrando inclusive adesão de pessoas que não pertenciam à torcida organizada da parceria.

Nos dias seguintes, as manchetes começaram a utilizar expressões como “segue forte”, “avança”, “embala a comunidade” e “desponta como favorito”.

Ou seja: a parceria não saiu depois de ser eliminada. Saiu classificada.

E esse detalhe mudaria completamente a repercussão do caso.

12 DE AGOSTO: A BOMBA

Na quarta-feira, 12 de agosto, a parceria anunciou que estava deixando o concurso.

O comunicado informou que a decisão havia sido tomada pela maioria dos compositores. Também fez questão de esclarecer que Karinah não concordava com a retirada e defendia a permanência da obra na disputa.

Os demais integrantes decidiram não tornar públicos os motivos naquele momento. A justificativa apresentada foi o respeito “à escola, à comunidade e a todos os envolvidos”.

A mensagem terminava afirmando que o Samba 03 deixava o concurso, mas que a obra construída permaneceria.

O impacto foi imediato justamente porque, poucas horas antes, ainda circulavam matérias anunciando a apresentação do samba na eliminatória seguinte.

Uma parceria composta por nomes de grande experiência, com uma obra classificada e tratada por diferentes veículos como uma das candidatas ao título, simplesmente saiu.

A pergunta passou a circular pela comunidade: por quê?

A NOTA OFICIAL DA MANGUEIRA

A Mangueira respondeu.

Em Nota Oficial divulgada nas redes sociais, a agremiação afirmou que havia tomado conhecimento da retirada “por meio das redes sociais”.

Disse também manter, desde o início da disputa, um “canal direto de diálogo” com todas as parcerias, criado para garantir comunicação, transparência e alinhamento.

A escola reconheceu a qualidade do samba e a trajetória dos compositores, mas lamentou a forma como a retirada teria sido conduzida, sustentando que não havia sido previamente informada nem tivera oportunidade de participar da construção de um comunicado.

A Nota ainda enfatizou que a decisão havia sido tomada unilateralmente pela parceria, negou qualquer participação da escola na desistência e repudiou tentativas de responsabilizar a agremiação.

A repercussão do documento deslocou imediatamente o centro da polêmica.

Já não se discutia apenas por que o Samba 03 havia desistido.

Passou-se a discutir também se a Nota Oficial dizia a verdade ao afirmar que a Mangueira não havia sido avisada.

GILSON BERNINI APRESENTA OUTRA VERSÃO

No dia seguinte, 13 de agosto, Gilson Bernini veio a público.

E apresentou uma narrativa totalmente diferente da versão institucional.

Bernini afirmou que a comunicação havia ocorrido antes da divulgação pública da desistência. Segundo o compositor, teria sido enviado e-mail, uma mensagem pelo WhatsApp para a presidenta Guanayra Firmino, que teria inclusive respondido a Beto Savanna, e também teria ocorrido comunicação no grupo oficial da disputa ao diretor de Carnaval.

Em vídeo, Bernini resumiu:

“Foi enviado um e-mail, foi enviado um zap para a presidenta e tem o print como ela respondeu e foi comunicado no grupo da disputa ao Diretor de Carnaval.”

Beto Savanna apareceu nos comentários reforçando a manifestação do parceiro:

“É isso, Titio, nossa verdade é só uma. Seguimos...”

O vídeo de Bernini provocou intensa movimentação. No levantamento realizado posteriormente, a publicação já reunia milhares de interações.

A partir daquele momento, a controvérsia deixou de ser uma mera suspeita de bastidor.

Um compositor seis vezes vencedor de disputas de samba da Mangueira estava declarando publicamente que a premissa central da Nota Oficial da escola não correspondia ao que havia acontecido.

Bernini tem uma relação histórica com a Verde e Rosa. Venceu disputas da agremiação em 2000, 2001, 2003, 2004, 2006 e 2009 e conquistou Estandartes de Ouro de melhor samba-enredo.

Não era, portanto, um estreante reclamando de uma eliminação.

O COLETIVO TRANSPARÊNCIA ENTRA NO DEBATE


Integrantes do Samba 03 - Mangueira


O episódio também provocou manifestação do Coletivo Transparência Mangueira, que publicou a Nota intitulada “Quando o Samba Desiste: a desistência da parceria de Xande de Pilares, Gilson Bernini e Karinah na Mangueira”.

O documento retomou uma discussão anterior.

Em 26 de maio de 2026, meses antes do início das eliminatórias, o Coletivo havia encaminhado formalmente ao Conselho Deliberativo e Fiscal proposta para elaboração de um edital público para o concurso de samba-enredo.

A proposta defendia critérios escritos de julgamento, comissão independente, regras de impedimento, possibilidade de recurso, publicidade dos procedimentos e mecanismos destinados a reduzir dúvidas sobre conflitos de interesses.

Segundo o Coletivo, a proposta não foi acolhida.

A entidade relacionou a desistência àquilo que considera uma crise progressiva de confiança no processo de escolha do samba.

Os números foram utilizados como argumento.

A disputa de 2027 recebeu apenas dez obras e 55 compositores. Na série histórica organizada pelo Coletivo, abrangendo onze concursos entre 2016 e 2027 e desconsiderando 2021, foram contabilizadas 271 obras e 1.223 participações de compositores, média de 24,6 sambas e 111,2 participações por disputa.

Os dez sambas de 2027 constituem o menor resultado dessa série.

Entre 2016 e 2022, seis disputas reuniram 174 obras — média de 29 por ano. Somados 2025, 2026 e 2027, foram apenas 43, média de 14,3.

Para o Coletivo, a desistência de uma parceria classificada tornou ainda mais simbólico um concurso que já havia começado esvaziado.

O coordenador da entidade, historiador Pablo Brandão, questionou a contradição entre a própria Nota Oficial e o relato dos compositores: se a gestão afirmava possuir um canal direto para comunicação com todas as parcerias e os compositores dizem que utilizaram esses canais, seria necessário explicar por que a escola declarou ter tomado conhecimento apenas pelas redes sociais.

A DISPUTA FICOU COM QUATRO SAMBAS

A retirada alterou também a dinâmica da competição.

Na terceira eliminatória, realizada em 15 de agosto, deveriam estar cinco obras classificadas. Sem o Samba 03, apenas quatro subiram ao palco.

Naquela noite, foi eliminado o samba da parceria de Gustavo Louzada, Dulce Santos, Alexandre Naval, Valtinho Botafogo e Raimundo Santa Rosa.

Restaram somente três obras numa competição que ainda tinha outras datas previstas antes da final de 5 de setembro.

Começaram então questionamentos entre torcedores sobre o próprio planejamento do calendário: haveria eliminatória sem corte? A final seria antecipada? Os três sambas seriam apresentados repetidamente até 5 de setembro?

A escola respondeu a seguidores em suas redes sociais que o calendário seria mantido.

IVO MEIRELLES ENTRA NA POLÊMICA

A temperatura aumentou ainda mais depois da terceira eliminatória.

O ex-presidente da Mangueira Ivo Meirelles, que comandou a escola entre 2009 e 2013, acompanhou as apresentações e publicou em seu Instagram que a Mangueira já tinha o seu samba.

E acrescentou:

“E ele é BRABO!”

A frase veio acompanhada de:

“Pronto, falei!”

A publicação foi interpretada como mais uma intervenção num ambiente em que já circulavam suspeitas, acusações e discussões sobre favoritismo.

A disputa, que deveria estar concentrada na comparação entre letra, melodia e desempenho dos sambas, passou a ser acompanhada também por uma intensa batalha de narrativas nas redes sociais.

E XANDE PERMANECEU EM SILÊNCIO

Embora seu nome fosse o mais conhecido nacionalmente entre os integrantes da parceria, Xande de Pilares não havia feito, naquele momento, uma exposição pública detalhada sobre a polêmica criada pela Nota Oficial.

Isso deixou o vídeo de Gilson Bernini como a principal contestação direta à narrativa institucional.

Até agora.

“MENTIRA. NÃO FOI PELAS REDES SOCIAIS”

Na entrevista divulgada pelo Xiado Carioca, Xande finalmente entrou diretamente na discussão.

Ao ser perguntado sobre a retirada do samba e a repercussão que veio depois, contou que a parceria decidiu sair e que ele alertou os demais integrantes para as consequências que a decisão poderia produzir:

“Sabe que vai ter consequência, né? Nego vai interpretar de várias formas.”

Xande afirma que apoiou a decisão tomada pelos parceiros.

Em seguida, ao abordar a declaração da Mangueira de que teria descoberto a retirada pelas redes sociais, não deixou espaço para interpretação:

“Mentira. Não foi pelas redes sociais. Foi feito um comunicado.”

Para Xande, depois de decidida a retirada, a providência correta era justamente procurar quem tinha legitimidade institucional e comunicar.

“Vai quem é de direito, vai lá e dá o papo, não precisa explicar nada e comunica que vai tirar o samba.”

A afirmação coincide, no ponto essencial, com o que Gilson Bernini havia declarado semanas antes.

“ISSO NÃO É COISA DE GAROTOS DE 20 ANOS”

Xande foi além.

Ao falar sobre a forma como os integrantes da parceria agiram, rejeitou a ideia de uma decisão impulsiva tomada simplesmente através de uma postagem:

“Isso não é coisa de garotos de 20 anos. A coisa tem que ser com homens, chefes de família.”

Na sequência, explicou que ninguém simplesmente entraria “num Instagram da vida” para anunciar que estava retirando o samba.

E repetiu o ponto central:

“Primeiro foi feito um comunicado.”

A declaração é particularmente relevante porque responde diretamente à crítica contida na Nota Oficial da escola à maneira como a parceria teria conduzido sua saída.

O artista também deixou claro que, apesar da divergência, não pretendia faltar com respeito à instituição Mangueira, separando a escola da controvérsia administrativa.

DUAS VERSÕES, A MESMA PERGUNTA

Depois de quase um mês, a questão que permanecia aberta ganhou um novo elemento.

A versão oficial da Mangueira afirma:

a escola soube pelas redes sociais e não havia sido previamente informada.

Gilson Bernini afirma:

houve e-mail, WhatsApp à presidenta, resposta ao parceiro e comunicação no grupo oficial da disputa.

Xande de Pilares agora afirma:

“Mentira. Não foi pelas redes sociais. Foi feito um comunicado.”

Essa é a contradição objetiva que a direção da Mangueira precisa esclarecer.

Se existiram os e-mails, as mensagens e a resposta atribuída à presidenta, é possível verificar quando foram enviados e recebidos.

Se houve comunicação no grupo oficial das eliminatórias, também é possível estabelecer cronologicamente quando ocorreu.

Trata-se, portanto, de uma controvérsia que não depende apenas de memória ou interpretação: há referências a registros eletrônicos verificáveis.

DE UMA DESISTÊNCIA A UMA CRISE DE CREDIBILIDADE

Talvez seja esse o principal resultado da repercussão.

No dia 12 de agosto, a pergunta era:

Por que uma das parcerias favoritas abandonou a disputa?

Depois da Nota Oficial, passou a ser:

A Mangueira realmente só soube pelas redes sociais?

Depois de Gilson Bernini:

Se a presidenta recebeu mensagem e respondeu, por que a Nota dizia que não havia comunicação prévia?

Agora, depois de Xande:

Como sustentar a versão institucional diante de dois integrantes da parceria afirmando publicamente o contrário?

O Samba 03 saiu da competição.

Mas a controvérsia que ele deixou continuou disputando espaço dentro e fora da quadra.

E, semanas depois, Xande de Pilares devolveu o assunto ao centro da discussão com uma palavra que dificilmente passará despercebida:

“Mentira.”


DOCUMENTOS E REGISTROS DA REPERCUSSÃO

Nota Oficial do Coletivo Transparência Mangueira — “Quando o Samba Desiste”
Fala Mangueira: falamangueirafala.blogspot.com

Vídeos:

Publicações e registros no Instagram:

Coletivo Transparência Mangueira
Instagram: @transparenciamangueira
Blog: Fala Mangueira

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